Caros jogadores do nosso querido Sport Club
Internacional,
Os senhores estão prestes a viver um daqueles raros momentos nos
quais se cala o futebol e levanta-se a história. Junto a vocês,
oito milhões de almas anseiam pela chegada do grande momento, da
grande noite que, mais uma vez, marcará a grandeza deste clube,
filho dos humildes, feito do povo e para o povo. Eu repito, meus
senhores: o momento é raro. O futebol está, nesta semana, dando
lugar a algo maior em nossos corações.
Junto às suas grandes qualidades de futebolistas descansa a
possibilidade do único triunfo que nos falta, a única conta ainda a
ajustar – a da retidão. Nenhum pênalti não marcado pode
apagar esta chama. Olhando para vocês, a justiça suspira. Cuidando
seus passos, a honestidade os aplaude. Hoje, um clube de cem mil
sócios mostra ser possível, nesse continente esquecido e pobre,
ainda existir uma paixão como a nossa.
Aqui, neste sul profundo da América, o Inter diz ao planeta que não
são necessários investidores iraquianos. Aqui não entregamos nosso
destino a mafiosos procurados pela Interpol. Nestes pagos repousa
uma força da natureza chamada Sport Club Internacional, que pode
falar da tristeza porque a conhece, e mesmo assim dizer ao planeta
inteiro, com justiça, glória e solenidade: outro mundo, outro
caminho, são possíveis. Os senhores são os dignos portadores desse
clube. Orgulhem-se disso, meus caros.
E por essas razões os senhores embarcam, agora, numa das mais belas
jornadas de toda a nossa existência. Ouçam mais uma vez esta
gloriosa torcida. Lembrem mais uma vez de todas as taças
conquistadas. Mas acima de tudo, meus senhores, eu lhes peço:
escutem seu próprio coração. Deem espaço àquela voz só nossa,
àquela chama persistente, amiga dos bons e dos justos, chamada
consciência.
Mais uma vez como tantas outras, sejam os grandes
profissionais e os ótimos jogadores os quais, eu tenho certeza, os
senhores são. É preciso deixar tudo, absolutamente tudo dentro do
campo na próxima quarta-feira. Toda a honra em forma de suor. Todo
o amor em forma de vibração. É preciso deixar tudo. Tudo. Menos que
isso será nada. Nós sabemos dessa verdade.
E não tenham medo da derrota, meus caros, não a temam por pouco.
Como alguém disse sabiamente tempos atrás, muitas vezes o campeão é
só isso mesmo, campeão. Se o título não vier, ainda sim os senhores
poderão nos brindar com a tristeza mais sublime da nossa história.
Sejamos homens, meus senhores, não no sentido quixotesco da
palavra, mas em seu significado humano: retribuam na quarta-feira,
como tantas vezes já fizeram, todo o amor desse povo.
Retribuam
calorosamente, apaixonadamente, com ganas de morrer em campo, e o
resultado será o que tiver de ser. Paguem amor com amor. Feita essa
combinação, o resultado então será só isso mesmo, o resultado. E a
torcida, esta generosa e linda torcida, ainda assim, os agradecerá
emocionada.
Mas caso a vitória venha, ah, meus caros! Para sempre todos nós
estaremos ligados pelo cordão umbilical desta glória. Passarão os
anos e os senhores, já velhos e felizes, contarão a seus netos
sobre esse dia, o momento no qual estiveram além do
profissionalismo, acima da esperança, a noite feliz em que
ultrapassaram tudo não só para satisfazer a massa, mas sim a vocês
mesmos, deixando o coração em campo.
O
famoso filme hollywoodiano estava certo: o que fazemos em vida
realmente ecoa pela eternidade. Essa é a chance de vocês, mais uma
vez, sobreviverem por todas as eras no coração deste povo sofrido e
guerreiro que os espera na arquibancada do Gigante.
E isso tudo poderá ocorrer nesta quarta-feira, meus caros senhores.
Não tenham medo do resultado. Sigam em frente. Esta torcida mais
uma vez estará com vocês, com a mente e o coração. Preparem-se e
sejam os grandes homens e atletas que, no campo e na vida, tenho
certeza vocês almejam ser, e penso que já o são.
A história os aguarda, meus senhores. Deixem tudo em campo. Tudo.
Simplesmente tudo.
E esta será mais uma noite para ecoar pela eternidade.
Créditos ao Daniel, da comunidade do INTER.
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